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segunda-feira, janeiro 23, 2006

Um país de Pantufas

Finalmente soubemos o que o "amanhã" nos trouxe, aliás já é ontem - e quanto a ontem sabe o ontem.
Estas eleições trouxeram-nos, como mesmo os mais optimistas já esperavam, a vitória de Cavaco - tangencial, é certo, 0.6% não é uma margem confortável, é palavra dita na altura certa ou na altura errada, um anel de bancada mais cheio ou mais vazio, um segundo de indecisão a menos ou a mais, não é muito, e no entanto se lhe juntarmos 50% .... temos uma estrondosa maioria absoluta.
Cavaco portou-se bem, ensaiado de mais para o meu gosto, com a saída de casa a cortar o discurso de Jerónimo de Sousa a meio do discurso, com uma recepção fantástica numa obra "sua" e um discurso à nação em que, para surpresa geral, não disse nada (à excepção de uma ou duas citações de Mário Soares, sem referência das fontes, claro; mas compreende-se, é não estragar a eloquência e naturalidade do discurso).
Manuel Alegre teve uma vitória amarga, ou uma derrota adocicada se preferirem, superou largamente Mário Soares mas não evitou a derrota da esquerda. Podia perguntar se não teria conseguido os seus objectivos, mas creio que a divisão da esquerda não o era seu objectivo, mas sim um efeito secundário do seu projecto (aliás interessante por conceito, mas claramente inapropriado nas circunstâncias, e mal interpretado no terreno).
Permitam-me que salte Soares, já lá vamos.
Jerónimo comprovou a intuição de muitos, Jerónimo vale mais que o próprio PCP. A sua simpatia mobiliza os comunistas, mas o seu discurso é também apelativo para outras pessoas de esquerda, tendo sabido aproveitar, sem nenhum maquiavelismo, a divisão do eleitorado socialista.
O discurso de Louçã soube transformar uma derrota numa vitória. Os 5,3% vão ser suficientes para pagar a campanha, mas creio que Louçã estava à espera de mais, ao não considerar que Manuel Alegre lhe roubava grande parte do eleitorado, e contando que a sua personalidade valesse mais que o BE. Sou da opinião que vale, Louçã é inteligente, combativo, irreverente e um bom orador, mas o voto no BE ainda é muito flutuante (a organização ao estilo de movimento tem destes defeitos).
Garcia Pereira desceu muito para a última eleição, mas conseguiu finalmente tempo de antena. Continua no entanto a ser um desconhecido para a maioria dos portugueses.
Por último, Soares.
Soares entrou nesta eleição com tudo a perder e nada a ganhar. Já não havia prestígio a ganhar, nem fama, nem grande dinheiro, nem honras, o cargo não lhe podia oferecer nada que ele já não tivesse. E, como se veio a provar, a exposição pública podia trazer-lhe, pelo contrário, ofensas pessoais de todo o género, a degradação do seu nome e prestígio, etc.
O argumento da idade, por muito que o consideremos ridículo e infundamentável, fez o seu caminho pela cabeça das pessoas e transformar o "pai da democracia" em "traidor à pátria".
"Está velho!", "Já não está cá a fazer nada!", "Já passou o tempo dele!", "E a renovação?!", "Assim são sempre os mesmos!" .... ouvi estas e outras frases vezes sem conta.
Se ser jovem é ter .... digamos ... já sendo generosos ... menos de 35 anos, nenhum jovem alguma vez chegará a Presidente da República em Portugal. Se ser jovem é ser irreverente, é ser corajoso, é avançar sem ligar ao que os outros dizem, se é ser idealista, se é ter energia, se ser jovem é querer mudar o mundo, é inovar, é querer, desejar, amar "infinitamente o finito", "desejar impossivelmente o possível" se é "querer tudo, ou um pouco mais, se puder ser, ou até se não puder ser" então Mário Soares é o mais jovem dos candidatos, é mais jovem que a maioria dos jovens que conheço; se se juntarmos a isso a experiência de 81 anos de experiência, estudo, livros, exílio, liberdade, política, advocacia, docência, crises e glórias, temos um sábio.
Um Sócrates que, na hora da morte beberá o cálice de cicuta até ao fim e consolará ainda os seus amigos.
Foi o que aconteceu nos minutos antes do seu discurso de encerramento da campanha. Era Mário Soares quem acalmava as pessoas que estavam com ele naqueles últimos momentos de campanha, por saber que há mais mundo para além daquilo, daquela noite, daquela eleição, mesmo além deste país e deste tempo; por saber que "podem matar uma flor, mas não poderão nunca proibir a Primavera".
E a Primavera virá!
"Even darkness must pass. A new day will come. And when the sun shines, it will shine the clearer."
Portugal não deixará de cumprir-se. Já esperámos mais de 400 anos ... mais 5 menos 5 ... mais 10 menos 10 .... que interesse terá isso "lá para o ano 3000 e tal"? O que interessa é o exemplo, a coragem, a vontade imensa, aquela ousadia que faz encher o peito de algo maior que a própria vida, seja na poesia, na música, na guerra ou na política.
Esse é o exemplo que vai ficar e o grande legado deste projecto, que está destinado a não acabar aqui.
A paixão pela política não acaba aqui, o amor às pessoas não acaba aqui, o sonho de um Portugal integrado na Europa e no Mundo não acaba aqui, a projecto de unir os portugueses num desígnio maior que o combate ao défice não acaba aqui. Soares não acaba aqui.
O país pode ter-se resignado, mas Soares não se resignou. O país pode ter se sentado, mas Soares saiu à rua numa luta desigual. O país pode estar de pantufas para ver o jogo de futebol e a telenovela, mas Soares preferiu tentar levantar o país do marasmo e despertá-lo da ilusão de um salvador vindo da bruma.
Soares não vai "arrumar as chuteiras". Não vai, como muitos queriam, "calçar as pantufas" e resignar-se. Um jovem não se resigna, não se conforma, não "calça as pantufas", nem "arruma as chuteiras", vai à luta, atira-se ao combate.
Soares perdeu. Mas não saiu derrotado, é novo de mais para sair derrotado de uma qualquer batalha.
"Só é derrotado quem desiste de lutar."
Soares não desistiu.
"As grandes causas não acabam."
Os grandes homens não desistem.

Obrigado!


Obrigado Soares!
Foi uma honra poder ter acompanhado nos últimos meses a campanha de um homem que é uma referência política para mim. Foi com admiração que assisiti a uma tal demonstração de vitalidade e juventude - Soares percorreu o país, falou com as pessoas e abordou temas que só dentro de anos é que voltarão a ver a luz do dia, fruto deste retrocesso para um Cavaquismo conservador.
Ver alguém cujo mérito não era questionado e onde as críticas se baseavam na sua idade lembrou-me da discriminação a que nós, os mais jovens, também estamos sujeitos. A arrogância e superioridade moral, não apenas da direita, discriminadora e diminuidora daqueles que, ou já deviam "calçar as pantufas", ou deviam ainda estar debaixo da alçada de uma força paternalista, que os vê como rebeldes porque, entretidos, não se constituiriam como alternativa séria.
O MP3 foi um marco na forma de fazer política em Portugal e agregou um conjunto de vontades plurais e princípios íntegros e respeitadores.
Sinto que fizemos o melhor possível, considerando que estavamos a combater em várias frentes. Não renegamos nunca as nossas origens e sei que o MP3 irá perdurar em todos os que neles participaram!

domingo, janeiro 22, 2006

Valeu a pena

Acompanhei esta campanha eleitoral com proximidade. Acompanhei-a com prazer, estando convicto de que apoiava o melhor candidato à Presidência da República. E hoje, apesar dos resultados menos bons, mantenho essa mesma convicção. Mário Soares mostrou uma energia capaz de fazer inveja à juventude e protagonizou uma campanha de afectos e de proximidade.
Daqui a umas dezenas de anos, esta eleição será recordada como o acto eleitoral em que um antigo Primeiro-Ministro e antigo Presidente da República arriscou, aos seus 81 anos, mais uma candidatura ao Palácio de Belém. Fê-lo por Portugal, com princípios que tendem, no actual panorama político, a extinguir-se, como sejam a coragem e a frontalidade. Obrigado, Mário Soares, pela lição de vida que transmitiu e pelos ideais de defesa da actividade política que tão bem - e como ninguém - soube manifestar.
Valeu a pena.

Tristeza

Face a tão injusto resultado, é o sentimento mais genuíno que posso expressar neste momento. A par, naturalmente, de uma profunda admiração pelo exemplo de Mário Soares e pela dignidade com que se lançou neste combate empunhando os valores de uma vida. O testamento político de Mário Soares será sempre superior ao que se passou nesta campanha. O MP3 está solidário com uma candidatura que é vitoriosa porque avançou sobre as maiores adversidades. Como Soares tantas vezes afirmou, só é derrotado quem desiste de lutar. Ou quem trai os que assim o fazem.

Soares, hoje e sempre

«[...] esta minha campanha marcará data e ficará – creio – como uma referência cívica para o futuro.

8. Foi uma campanha de muito alegria, participação e com a presença constante da Juventude, o MP 3. Agradeço especialmente a todos os jovens que me acompanharam.

9. Lançámos ideias novas e realizámos um combate cívico de que muito me honro, em defesa de grandes Causas e advertindo contra novos perigos.

10. Apesar da derrota sofrida – que não desejo minimizar, antes pelo contrário – essas ideias farão o seu caminho.

Pelo que a vida me ensinou, este combate cívico não termina hoje. Em democracia, perdem-se e ganham-se eleições. É essa a regra do jogo. Mas – como sempre disse também - só é vencido quem desiste de lutar. Eu, como mais uma vez demonstrei, não desisto de lutar.

O meu empenhamento cívico ao serviço de Portugal e dos Portugueses será total como sempre foi.

Mário Soares

Lisboa, 22 de Janeiro de 2006
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O candidato que é supra-partidário

Quando se souberam as primeiras projecções, ouviu-se na sede do candidato supra-partidário:

PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD, PSD
(silêncio)
Portugal, Portugal...

Não contactem já a Interpol

Ao final de alguns meses, um homem desaparecido voltou a aparecer. Marques Mendes está a falar na televisão.

Augusto Santos Silva

Não está num painel de comentadores. Está sob um miserável pelotão de fuzilamento na TVI. Manuela Moura Guedes, Constança Cunha e Sá, Miguel Sousa Tavares e José Carlos Castro estão no canal errado. Luta livre, ainda por cima de tão má qualidade, deveria ser no Eurosport e com bolinha vermelha. Foi este o jornalismo que tivemos durante a campanha. É este o jornalismo que temos na noite eleitoral. Lamentável.

Start spreading the news

Logo à noite

Apareçam na sede do MASP, na Avenida dos Aliados, para acompanharmos a noite eleitoral. A partir das 19h.

sábado, janeiro 21, 2006

Obrigado

Foi uma campanha difícil. Muito difícil.
Em primeiro lugar, foi uma campanha difícil porque foi uma campanha no verdadeiro sentido do termo e não uma campanha de marketing, ou uma campanha publicitária. Foi, isso sim, uma luta, uma batalha, uma causa, que nos levou a percorrer este país de lés a lés. E percorrê-lo quase porta-a-porta, não blindados por um batalhão de seguranças, mas no meio das pessoas, com afectividade e energia.
Foi uma campanha de pessoas, para pessoas e pelas pessoas. Não um golpe publicitário de directores de marketing, empresários e acessores, para que uns tantos engolissem à pressa aproveitando um efeito domninó que podia ser sintetizado nas palavras: "vamos todos votar Cavaco", em nome de interesses corporativistas e sectários.
Foi ainda uma campanha complicada porque, se a maioria dos militantes do PS estavam com Mário Soares, outros havia que não se reviam na candidatura. Até aí tudo bem, uma das razões que me levaram a entrar para o JS foi precisamente o facto de lá se poder falar livremente, num ambiente de grande tolerância ideológica e política, o problema é que, bem ou mal, a candidatura de Alegre gerou, mais pelo estilo que pelo conteúdo, antagonismos dentro do partido. Esses antagonismos cansam, magoam, fragilizam…
Foi ainda uma campanha complicada por causa da comunicação social, que simplesmente preferiu esconder dos portugueses todo o entusiasmo popular que a campanha foi gerando e apresentar o candidato sozinho, desmotivado, desesperado, sonolento, cansado, velho. Ela é a grande responsável, na minha opinião, por qualquer resultado que negativo que possa vir a concretizar-se, dado que não apresentou a verdade de uma forma completa, mas apenas o ângulo que mais servia os seus interesses.
Procurámos fazer uma campanha limpa, pela positiva, próxima das pessoas, esclarecedora, apelativa, mobilizadora, inovadora. Conseguimos.
Lembro das últimas palavras de Fernando Pessoa: “I know not what tomorow will bring”.
Não sei o que trará dia 22.
Sei que cada um deu o melhor de si, o melhor da sua convicção, da sua energia, do seu entusiasmo, da sua voz, da sua criatividade, do seu trabalho, do seu sono, até, para por em Belém o melhor.
Não sei o que trará dia 22.
Sei que tivemos um candidato dedicado, afável, simpático, afectuoso, inteligente, curioso, atento, divertido, cheio de energia, entusiasmo, convicção, determinação e ambição para Portugal.
Não sei o que trará dia 22.
Sei que dia 22 trará o que o povo português quiser, isso tranquiliza-me pelo menos um pouco.
Não sei o que trará dia 22.
Sei que este “não é o fim, nem mesmo o princípio do fim, antes o fim do princípio”.
Não sei o que trará dia 22.
Sei que, como dizia Cunhal: “as grandes ideias não são de hoje, nem de ontem, nem de amanhã, são de sempre” e que enquanto houver quem “semeie trovas no vento que passa”, quem “não lhe dê cavaco” e sobretudo quem una os portugueses num desígnio maior que o défice, maior que os partidos, maior mesmo que “esta nesga de terra para nascer”, Portugal poderá ser adiado, mas não se deixará de cumprir.
Obrigado a todos os que acreditam.
Obrigado Dr. Mário Soares.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

MP3 # Mário Presidente 3

Agora, camaradas e amigos, a decisão é vossa. E a responsabilidade, claro, também.

Soares Presidente 3

«[...] Enquanto o sol perdura
ou uma nuvem passa
surge uma nova imagem

Em qualquer parte um homem
abre o seu punho e ri»

(António Ramos Rosa, Em qualquer parte um homem)

Aristides de Sousa Mendes

Mandaram-me um mail que gostaria de partilhar convosco:

"Um dos papéis mais importantes, embora não dos mais conhecidos, previstos na nossa constituição para o cargo de Presidente da República é o da concessão de perdões ou indultos como recurso de última instância quando uma grave injustiça é praticada pelo sistema judicial. De facto, em momentos excepcionais da história alguns cidadãos foram obrigados a agir contra a letra da lei e da constituição, em nome de valores mais altos como o da dignidade humana. Perante esses casos, o sistema judicial ou administrativo pode ver-se de mãos atadas, tendo de aplicar cegamente uma lei, sabendo porém que se está a cometer uma injustiça ao punir quem violou a lei em nome de valores mais altos.

Um caso especialmente característico desse tipo de situação aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial com o Cônsul Português em Bordéus, Aristides de Sousa Mendes. Vendo-se confrontado com o terrível destino a que estavam sujeitos os cidadãos judeus que fugiam do holocausto nazi, para quem a única esperança era alcançar Portugal e daí partir para um destino seguro, e estando confrontado com as ordens expressas de Salazar para que não fossem concedidos vistos de entrada em Portugal, Aristides de Sousa Mendes optou, também ele, por violar a lei e as determinações hierárquicas, em nome do princípio mais alto de salvaguarda da vida humana.

Sumariamente despedido por Salazar, Aristides de Sousa Mendes viria a
morrer na miséria, privado de pensão e de todas as regalias da carreira diplomática.

Quando, de 1985 a 1987, se procurou reabilitar a memória de Aristides de Sousa Mendes, reintegrando-o a título póstumo na carreira diplomática e apresentando o pedido de desculpas do Governo Português à família do diplomata, essas diligências encontraram a oposição declarada do então Primeiro-Ministro, Aníbal Cavaco Silva. De acordo com o chefe do governo, por muito louváveis que fossem as intenções do diplomata português, o facto é que tinha desobedecido a uma ordem directa do Presidente do Conselho e que, em iguais circunstâncias, ele, Cavaco Silva, teria procedido da mesma forma que o então Presidente do Conselho, pois não poderia aceitaruma insubordinação semelhante de um dos seus diplomatas.

Embora à letra da lei, o actual candidato a Presidente da República estivesse absolutamente correcto, a sua posição é moralmente condenável à luz de quaisquer princípios. O cumprimento da lei de um estado soberano não pode estar acima da defesa dos princípios básicos da humanidade.
Essa miopia que põe o cumprimento de uma regra escrita acima da defesa dos valores
humanos é aquilo que distingue um mero burocrata de um verdadeiro líder. O
motivo pelo qual a Constituição confere ao Presidente da República o direito de inverter a decisão de um tribunal penal é, precisamente, pelo reconhecimento da limitação de uma lei escrita no papel. Um candidato que não percebe essa distinção não é digno de ser eleito Presidente da República, pois essa distinção é também a distinção entre um mero tecnocrata e um verdadeiro líder de uma nação."

O Tiago Barbosa Ribeiro avisou-me que o texto era da autoria da "Associação República e Laicidade".
Aos autores a minha vénia, ao Tiago o agredecimento pelo aviso.

A «arrogância», breve definição

«A 'arrogância' de Soares, com que parte da direita se delicia, foi arriscar uma candidatura. Sair do pedestal da história. Ir à luta. Fora de tempo, exibindo a política no seu estado puro. Este último combate de Soares é um combate pela política. Não tanto um exercício de arrogância contra os que não lutaram contra o fascismo. Mas o testemunho de um político que se recusa a aceitar que a política seja apenas um exercício de competência. A 'obsessão' contra Cavaco Silva é a obsessão contra um político 'intermitente' que escolhe as alturas certas para se candidatar a salvador da Pátria e que, sobretudo, a quer resgatar dos interesses mesquinhos dos 'políticos profissionais'».

Constança Cunha e Sá

O verdadeiro Harry Potter

De acordo com o Público de hoje, Cavaco promete «transformar os sonhos em realidade».

Descoberto o Pai do Cherne

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Física e Política

A velocidade da luz é maior do que a velocidade do som, por isso é que alguns políticos brilham enquanto não abrem a boca.

À direita, um grande ponto de interrogação

A primeira volta da campanha aproxima-se do fim, mas há algo que se manterá muito depois da decisão eleitoral: a direita portuguesa insiste na sua desidentificação ideológica e continua à procura de um rumo. Ainda muito marcada pelo Estado Novo, a direita procura debater-se a si própria. Houve algumas iniciativas recentes, como é o caso da revista Atlântico, das Noites à Direita do CDS ou da candidatura de Cavaco Silva. Mas a confusão, percebe-se, é imensa. E deliberada. Temos um partido liberal-conservador que se afirma social-democrata. E temos um partido democrata-cristão cujos principais dirigentes são radicalmente liberais em termos económicos e menos afectos aos valores clássicos da família, da Igreja e da pátria. O aborto será a última memória do seu folclore machista e beato. Cavaco foi mais uma oportunidade perdida das direitas anularem os seus complexos ideológicos e assim revalorizarem a clarificação e o debate democrático. O candidato presidencial insiste na sua social-democracia e até cantou Grândola, Vila Morena. A maioria dos seus apoiantes acha tudo isto muito natural. Até é provável que o seja. Para um candidato que é uma espécie de holograma de si próprio, o travestismo ideológico é um pragmatismo eleitoral e isso basta-lhe. Mas nada disto seria trágico se não fosse a metáfora da própria direita que existe em Portugal. Com Cavaco ou sem ele.

Afinal, só não sabe quem não pergunta

Garcia Pereira pediu a José Sócrates informações sobre a privatização da CGD e o primeiro-ministro respondeu-lhe, garantindo que não há essa intenção. Depois das condenações às declarações de Soares proferidas ontem nos estaleiros de Viana, teremos nova onda de indignação por parte dos cavaquismos?

quarta-feira, janeiro 18, 2006

A parte e o todo

Segundo o Público de hoje, Cavaco Silva terá dito num comício em Vale de Cambra: «Não deixem que a parte escolha pelo todo». A ser verdade, parece que o pedagogo de Boliqueime está a precisar de voltar à escola. Da democracia.

Comboio da juventude

O MP3, em conjunto com o MASP, está a organizar o Comboio «MP3 - Rumo à 2ª Volta» que se irá realizar no próximo dia 20 e terá como destino o Pavilhão Rosa Mota, no Porto, onde se realizará o comício de encerramento da primeira volta da campanha Eleitoral.

O comboio é gratuito, no entanto é preciso que faças a tua inscrição para os seguintes números de telefone: 213400050 / 51 / 52 ou por e-mail para o info@movimentomp3.net.

O comboio terá o seguinte percurso e paragens:

Lisboa (Santa Apolónia) - 14h 10m
Lisboa (Oriente) - 14h 15m
Santarém -
15h
Entroncamento - 15h 20m
Pombal - 16h
Coimbra - 16h 30m
Aveiro - 17h
Gaia - 17h 49m

O regresso far-se-á a seguir ao comício e está assegurado o transporte da estação de comboio.

O tempo de Mário Soares

«Passada a surpresa, esta audácia quase juvenil do antigo Presidente da República foi recebida com cepticismo por muitos, com sarcasmo por outros e, sobretudo, como uma ocasião inesperada para ajustar contas antigas e menos antigas com o homem que, melhor do que ninguém, de entre os activos, se identificou e é identificado com a Revolução de Abril e, em particular, com o tipo de democracia que ela instaurou em Portugal. [...] O mundo é que não é exactamente o mesmo mundo onde essa aventura pessoal e transpessoal foi possível. E esse mundo tinha de mudar, não o homem Mário Soares, mas a imagem dele no espelho alheio. O mesmo homem que, em tempos, passou entre nós como “o amigo americano” quando isso significava que o destino da nossa frágil democracia implicava alinhamento com a primeira das democracias ocidentais, aparece, hoje, aos olhos dos que têm interesse em cultivar essa vinha, como “antiamericano”, o que é, naturalmente, ainda mais simplista do que a antiga etiqueta. A única verdade desta valsa ideológico-mediática é clara: o antigo mundo que foi, durante décadas, o do horizonte da luta política de Mário Soares, funciona em termos de repoussoir — e Mário Soares, mais fiel aos seus ideais de sempre do que se diz, aparece, em fim de percurso, mais à “esquerda” do que nunca o foi. [...] Este tempo de Mário Soares não é apenas o tempo de Mário Soares. É o de várias gerações que, como ele, num mundo então histórica, ideológica e culturalmente dividido entre “direita” e “esquerda”, não apenas no Ocidente mas à escala planetária, escolheu um campo, numa época em que não escolher era ficar fora, não apenas do combate político, mas do combate da vida. É inócuo e só na aparência, prova de imaginária lucidez, pensar que esse comportamento releva de uma versão simplista e maniqueísta do mundo. Essa era a textura do mundo e da história que nos coube viver e só quem pretende viver fora deles se imagina sobrevoá-los como os anjos. É uma bela aposta a de Mário Soares, perdida ou ganha. Com a sua carga romanesca e a sua trama paradoxal. Mário Soares não é — nem a título histórico, nem ideológico — toda a esquerda portuguesa, mas nunca foi mais representativo dela, da sua utopia e das suas inevitáveis miragens, do que hoje, quando, aos oitenta anos, se apresenta como alguém, dentro dessa escolha, susceptível de incarnar ainda, melhor do que ninguém, essa velha aposta que entre nós nasceu com Antero e teve em António Sérgio, entre outros, as suas referências culturais, infelizmente mais vividas com sugestões poéticas do que propriamente políticas. Dizem-me que os dados há muito estão lançados e mesmo que os jogos estão feitos. Não o duvido. [...] Os seus adversários neste combate inglório e soberbo foram sempre outros. Não só os que se lembram do seu militantismo juvenil, como os que não esquecem a sua conversão definitiva ao socialismo democrático, mas, sobretudo, os que nunca lhe perdoaram o ter lutado pela democracia em Portugal, antes e depois de Abril. É isso que a verdadeira direita não esquece. É muito mais gente do que se supõe. É a mesma que põe na sua conta, como uma mancha indelével, a absurda culpa de ter “perdido” uma África que ninguém “perdeu” senão ela. [...] A esquerda não o traiu, nem ele se traiu nela. O drama é que essa esquerda de que pela última vez se faz paladino é, ao mesmo tempo, uma realidade — embora ideologicamente recente — e uma quimera. O problema da esquerda nunca foi a direita [...] mas a esquerda mesmo como pura transparência da história. A esquerda, sendo em intenção mais virtuosa, não é menos opaca, no seu angelismo imaginário, que a mais obtusa direita. Sobretudo quando não se dá conta disso. Em alegoria caseira, estas nossas eleições tão consensualmente democráticas, ilustraram com suavidade à portuguesa esta fatalidade. O combate no interior da nossa suicidária esquerda foi, à sua maneira incruenta, uma espécie de Alfarrobeira política. Talvez algum cronista, no futuro se inspire nela para nosso ensino inútil. Ou um poeta. Mas não terá Mário Soares.»

Eduardo Lourenço, O Tempo de Mário Soares, no Público de hoje

Presidente?

No seu blogue Abrupto, Pacheco Pereira que «não é só o Presidente que tem que respeitar os poderes do executivo, é também o Governo que tem que respeitar os poderes do Presidente». Está a referir-se a Jorge Sampaio?

Ora tomem lá

«Tomem lá Cavaco

O Contador do DN (V.R. OLiveira) regista o tempo que as televisões dedicam a cada candidato. Ontem, Cavaco mereceu 41.58 mns. aos quatro canais de TV. Quatro vezes mais do que Louçã; três vezes do que Jerónimo; 2,2 vezes Soares e 1,5 Alegre. O favorecimento de que goza Cavaco é escandaloso se considerarmos apenas o Serviço Público: A RTP e a Dois dedicaram-lhe 28.32 mns. contra 23.09 mns. da soma das quatro restantes candidaturas.»

Mais um dia, mais uma descida

Cavaco Silva voltou hoje a descer mais 1,4% nas intenções de voto dos inquiridos na sondagem diária da Marktest para o DN e TSF. Com uma amostra maior, tem agora menos 7,8% do que tinha no início da campanha e situa-se já na margem de erro acima dos 50% quando ainda faltam três dias para o encerramento da primeira volta. O tempo que Soares terá para se posicionar em segundo lugar. Como bem diria Ary dos Santos, «isto vai, meus amigos, isto vai».

terça-feira, janeiro 17, 2006

Cavaco preenche mais tempo nas televisões

Cavaco finalmente abre a boca ...

http://www.youtube.com/?v=8jlqlVZ1G64

O «candidato supra-partidário»

JSD

(imagem sem qualquer manipulação, retirada do site da JSD).

Entrevista a Mário Soares no El Pais

A obsessão

Nos últimos dias, vários ministros têm estado empenhados em demonstrar o cenário de crise que a eleição de Cavaco Silva pode provocar. Ou seja, situam a sua análise no domínio institucional, desmontando o apetite do candidato das direitas pelas funções executivas do governo. E o que responde Cavaco? «Vou esquecer afirmações de natureza partidária». Fabuloso. Depois não digam que não houve avisos q.b.

A escavacar

Festa * Comício * Jantar

Na próxima sexta-feira, a partir das 20h00, estaremos reunidos numa grande festa no Pavilhão Rosa Mota. Inscreve-te pelo número 223 328 287 / 95 ou envia um e-mail para masp3.porto@sapo.pt.